quarta-feira, maio 23, 2007

A Pia

De corredores escuros uma faísca
E na pia a água escorre pelo peito que tenta, trêmulo, apoiar-se a todo custo. Resistindo ao intenso movimento que vai e vem, escorrega e volta... joga ao lado e solta e pega, aperta, morde.
A carne se abre ao passar da língua sua
Boca só, afunda-se na madeira dura, a unha crava dos lados na esperança de encontrar refúgio
Mas a fuga é tão impossível quanto inútil... afinal atirou-se no caminho da besta sem pesar consequências ou senões...
Jogou-se de bom grado ao sacrifício do gozo
Lambe-te a água que escorre por entre curvas de rios, quase cai
A porta teima em manter-se fechada
O sol teima em aparecer tímido na bruma da manhã recém-nascida
O tempo corre, foge da pia ainda úmida e envolta em sombras... agora só, a pobre.
A voz suave no ouvido e o aroma de alecrim começa a desprender do forninho elétrico na cozinha.
Uma sopa de letrinhas harmoniosas embalam a noite que acaba de florescer em seu silêncio de musa, inspirando corações, expirando suspiros... lângida e lenta... não pergunte aonde fui, eu não sei.
Um lugar morno, cheiroso como especiaria fresca colhida da terra ainda úmida.

sexta-feira, maio 04, 2007

Marés

Escrevo um misto de marés que me embrulham o estômago e, ao redor, diversos lápis de cor me puxam à tona.
É um vazio cheio de ruídos. Sujos e barulhentos, cheiram à esgoto.
A lua branca e sensual faz a noite bela. Tão pálida e fria quanto o sou agora.
Desprovidos de superficiais sentimentos banais... e o sarcasmo volta aos dentes escancarados, brancos, latente pulso ao ritmo de facadas em série, afundo a mente em entranhas.
De volta ao turvo - curvo - escuro da mente - que sente.
Avessa à razão.
Do pranto ao vão que se abre entre as coxas carnudas da poetisa que rasga com as letras a minha discrição de menina dissimulada e arredia.
Depois o telefone ajuda a jogar a última pá de terra no defunto, que para ressuscitar precisa muito!
Reza brava, oferendas e um charuto... Flores na alma, um espelho e... Ser astuto.
Menos se imagina e acabou-se o luto, durou a eternidade de um segundo e a liberdade será gozada com coroas de louro ao redor dos longos cabelos ruivos. Goza!

quarta-feira, maio 02, 2007

LUTO

Luto do negro coração em pedaços
Lutar pelo orgulho que sinto no peito se esvair
Bruto, escuto os passos do passado a me procurar
A me chutar, escada abaixo.
Caí.